AAgroLinkMANUAL COMPLETO · OPERAÇÃO E GOVERNANÇA
Da preparação da safra à rastreabilidade do lote.
1. Ordem recomendada de implantação
- Cadastre fazendas e confira área total, município, UF e documentos.
- Divida cada unidade em talhões; a soma não pode superar a área da fazenda.
- Abra a safra, informe cultura, janela, produtividade, preço-alvo e teto orçamentário.
- Associe talhões à safra, com variedade, área e datas de plantio.
- Cadastre pessoas, papéis e o escopo das fazendas que cada uma pode acessar.
- Cadastre insumos, lotes, equipamentos e componentes do orçamento.
- Somente depois emita ordens de campo.
2. Planejamento e orçamento
- Em Planejamento, crie a safra e suas alocações por talhão.
- Em Custos e orçamento, use “Orçar componente” para sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, mão de obra, combustível, terceiros, manutenção e encargos.
- Use a mesma unidade do coeficiente técnico: kg/ha, L/ha, SC/ha, h/ha ou dia-homem/ha.
- O centro de comando compara o planejado e o realizado por natureza e por talhão.
O cenário deve ser aprovado antes da execução. Alterações relevantes devem permanecer justificadas na auditoria.
3. Insumos e estoque rastreável
- Cadastre o insumo e informe categoria, unidade, custo padrão e estoque mínimo.
- Para defensivos controlados, informe registro, intervalo de reentrada e carência.
- Receba cada lote separadamente com fabricação, validade, armazém, documento de origem, quantidade e custo.
- Nunca corrija saldo apagando registros; faça movimento de ajuste com justificativa.
- Lotes bloqueados, vencidos ou sem saldo não podem ser consumidos em ordens.
O razão de movimentos é imutável. A conclusão de uma ordem baixa o lote selecionado e forma o custo real automaticamente.
4. Ordens de campo
- Crie a ordem selecionando talhão/safra, operação, data, área, equipe e equipamento.
- Em aplicações, selecione insumo, lote, dose e unidade. Produto controlado exige agrônomo e número do receituário.
- Um gestor ou agrônomo autorizado deve Aprovar a ordem.
- O operador usa Iniciar quando a equipe realmente entra no campo.
- Na conclusão, informe área executada, horas de máquina e mão de obra, combustível e clima.
- O sistema rejeita área acima da tolerância, estoque insuficiente, lote bloqueado e conclusão fora da sequência.
5. Monitoramento fitossanitário
- Registre a inspeção no talhão com data, ameaça, incidência, severidade e coordenadas.
- Inclua a recomendação técnica. Situações críticas devem originar uma ordem priorizada.
- Marque como resolvida apenas após verificar o resultado no campo.
Pragas, doenças, plantas daninhas e deficiência nutricional permanecem no histórico da safra.
6. Colheita e genealogia
- Registre origem, data, pesos bruto e líquido, unidade, umidade, classificação e destino.
- Informe comprador e documento quando houver comercialização direta.
- O AgroLink gera um código de rastreabilidade único.
- Em “Abrir genealogia”, confira fazenda, talhão, safra, variedade, operações, responsáveis e insumos aplicados.
Não misture lotes sem um processo formal de beneficiamento: a genealogia deve permitir voltar do comprador ao talhão.
7. Máquinas e custos operacionais
- Cadastre horímetro, custo/hora, consumo de combustível e próximo marco de manutenção.
- Ao concluir a ordem, as horas são adicionadas ao horímetro e multiplicadas pelo custo operacional.
- Equipamento indisponível não inicia nova ordem.
- Quando a leitura alcançar o marco de manutenção, programe a parada antes de novas alocações críticas.
8. Papéis e política de acesso
- Proprietário: administração integral.
- Gestor: planejamento, aprovações, custos e operação.
- Agrônomo: receituário, aprovação técnica, ordens e monitoramento.
- Operador de campo: execução e apontamentos, sem acesso financeiro.
- Estoque: lotes, saldos e movimentos, sem acesso a custos consolidados.
- Financeiro: orçamento e custos, sem movimentar defensivos.
- Auditor: leitura de estrutura e trilha de auditoria.
Use escopo por fazenda quando uma pessoa não deva enxergar todo o grupo.
9. Caixa fiscal A1, manifestação e compras
- Em Caixa fiscal A1, envie o certificado A1 (.pfx/.p12), informe a senha, CPF/CNPJ, código IBGE da UF e ambiente.
- O AgroLink valida titularidade, vigência e chave privada, cifra o certificado e nunca devolve a senha ou o arquivo pela API.
- A coleta consulta o Ambiente Nacional pelo último NSU, preserva a sequência e evita documentos duplicados.
- Se desejar automação integral, habilite Ciência da Operação automática. A ciência libera o XML completo, mas não confirma a compra.
- Use Manifestar para confirmação, desconhecimento ou operação não realizada. Essas opções são conclusivas e nunca são escolhidas automaticamente.
- Operação não realizada exige justificativa. Todos os eventos são assinados pelo A1, transmitidos e preservados com protocolo e retorno.
- NF-e completas entram em Compras e NF-e; concilie os itens e use Escriturar entrada.
- A escrituração atualiza lotes, razão de estoque e parcelas em Contas a pagar.
A importação manual permanece apenas como contingência. Restrinja a permissão “Manifestar documentos fiscais” às pessoas responsáveis pela decisão fiscal.
10. Contratos, vendas e contas a receber
- Cadastre o cliente com CPF/CNPJ, inscrição estadual e endereço fiscal.
- Crie o contrato vinculando cliente, safra, commodity, volume, unidade, preço, vigência, entrega e condição de pagamento.
- Abra o pedido e selecione um lote colhido. Venda sem contrato exige preço unitário informado no pedido.
- Ao Aprovar, o AgroLink valida safra, unidade, saldo contratual e saldo físico, reservando a quantidade.
- Ao Expedir, a reserva vira quantidade vendida e nasce uma conta a receber. A operação é idempotente e não duplica títulos.
- Em Contas a receber, registre recebimentos parciais ou totais com referência bancária.
- Consulte entradas, saídas, compromissos e saldo projetado em Fluxo de caixa.
Cancelar pedido aprovado libera reserva física e saldo contratual. Pedido já expedido não pode ser cancelado. Liquidações financeiras geram movimentos imutáveis no razão de caixa.
11. Configurador administrativo
- Acesse Governança → Configurador com um perfil autorizado.
- Defina tamanho, complexidade, validade, histórico, tentativas, bloqueio e duração das sessões.
- Crie perfis personalizados selecionando apenas as permissões necessárias à função.
- Em Pessoas e acessos, associe o perfil e limite fazendas quando necessário.
- Revise a auditoria após mudanças sensíveis.
Separe as permissões de cadastrar vendas, aprovar/expedir pedidos, consultar recebíveis e liquidar valores.
12. Auditoria e fechamento
- Revise ordens abertas, ameaças, estoques mínimos e manutenção no centro de comando.
- Compare orçamento e realizado antes de encerrar o mês.
- Analise custo por hectare e desvio por componente.
- Revise compras, vendas, títulos vencidos e o saldo projetado de caixa.
- Consulte a auditoria por pessoa, ação e entidade diante de qualquer divergência.
Movimentos de estoque, custos, manifestações e caixa não podem ser alterados ou apagados.
13. NF-e de saída, DANFE e expedição
- Complete o endereço fiscal do cliente: inscrição estadual, indicador de contribuinte, código IBGE, CEP, logradouro, número e bairro.
- Em NF-e de saída, cadastre cada estabelecimento emitente em homologação. A série e o próximo número são controlados por estabelecimento e ambiente.
- Cadastre o perfil tributário da commodity com NCM, natureza da operação, CFOP, ICMS, PIS, COFINS, CST e classificação IBS/CBS.
- Gere a pré-emissão usando um pedido aprovado e use Validar. Todos os lotes devem pertencer ao mesmo estabelecimento.
- Somente documento sem pendências pode ser numerado. A numeração usa trava transacional, nunca reaproveita número e gera chave com dígito verificador.
- Use Autorizar homologação. O AgroLink gera o XML 4.00, valida no schema oficial PL_010b NT2025.002 v1.30, assina com o A1 e transmite por mTLS.
- Se a SEFAZ devolver recibo em processamento, use Consultar recibo. Quando cStat 100/150 for recebido, protocolo e XML processado ficam preservados.
- Use XML para baixar o nfeProc e DANFE para gerar o documento auxiliar A4 com chave em CODE-128C, protocolo, paginação e marca de homologação.
- A expedição do pedido permanece bloqueada até existir NF-e autorizada com protocolo. Assim, estoque, venda e contas a receber só avançam depois da autorização fiscal.
A emissão usa America/Sao_Paulo (-03:00). Nesta fase, a transmissão está habilitada apenas para GO em homologação; produção permanece bloqueada deliberadamente. O DANFE não substitui a NF-e e sua validade depende da autorização preservada no XML.
14. Fiscal e continuidade
A coleta, manifestação, escrituração, autorização e expedição compartilham uma base rastreável e segregada por permissão. O próximo ciclo amplia os autorizadores por UF e implementa contingência operacional; depois virão MDF-e, LCDPR, mapas avançados e sincronização offline.
15. Catálogo técnico agronômico
- Cadastre primeiro a cultura com código, nome científico e ciclo médio.
- Cadastre cultivares vinculadas à cultura, informando tecnologia, grupo de maturidade e eventos genéticos.
- Cadastre ingredientes ativos com grupo químico e classes toxicológica e ambiental.
- Crie a recomendação vinculando produto, cultura, ingrediente, alvo, finalidade e modo de aplicação.
- Informe faixa mínima e máxima de dose, unidade, carência, intervalo de reentrada e EPIs obrigatórios.
Use a recomendação como referência técnica, nunca como substituta do receituário agronômico. Somente perfis com permissão de manutenção podem alterar o catálogo; toda inclusão fica registrada na auditoria.
16. Estrutura organizacional multiunidade
- Cadastre a empresa legal com razão social, documento, inscrição estadual e regime tributário.
- Crie as unidades e informe tipo, município, UF e fuso horário IANA. Para operações brasileiras, use
America/Sao_Paulo. - Vincule fazendas e armazéns à unidade responsável; indique se cada armazém controla estoque próprio, de terceiros ou ambos.
- Cadastre centros de custo hierárquicos e equipes para separar responsabilidade, orçamento e resultado.
- Cadastre conversões somente quando houver relação física comprovada. O fator multiplica a origem para obter a unidade de destino.
Cadastros antigos continuam funcionando sem vínculo durante a transição. Novos vínculos são validados dentro da organização e toda inclusão é auditada.
17. Planejamento e apontamentos parciais
- Na ordem de campo, planeje área, horas-máquina, mão de obra, combustível, equipamento e doses por hectare.
- Aprove e inicie a ordem antes de registrar o primeiro retorno.
- Use Apontar execução para cada turno, equipe, carga ou trecho executado. Informe uma referência única, data, área, horas, combustível e condições climáticas.
- O AgroLink acumula a área e os recursos, baixa o lote de cada insumo e forma custos por apontamento.
- Marque Encerrar a ordem somente no último retorno. Até lá, a ordem permanece em execução e mostra seu percentual físico.
A referência única torna o envio idempotente: uma repetição causada por internet instável retorna o lançamento já gravado sem duplicar consumo, horímetro ou custo. A área acumulada respeita a tolerância operacional de 5%.
18. Modelos e plano anual de operações
- Em Plano anual, cadastre modelos reutilizáveis com operação, prioridade, coeficientes por hectare, volume de aplicação e insumos.
- Programe o modelo para um talhão da safra, informando janela, área, equipe, equipamento e responsável.
- Em aplicações controladas, informe obrigatoriamente o responsável técnico e o receituário.
- Revise as horas, combustível, volume e custo projetado calculados automaticamente.
- Use Liberar ordem. O AgroLink procura um lote FEFO suficiente, cria a ordem e preserva os coeficientes como fotografia do planejamento.
A liberação é idempotente e nunca cria duas ordens para o mesmo plano. Sem lote disponível, vínculo organizacional válido ou documentação técnica, o plano permanece bloqueado para correção.
19. Colheita, balança e romaneio
- Crie a ordem de colheita informando talhão, armazém estruturado, área, produtividade estimada, equipe e equipamento.
- Um responsável com alçada deve autorizar a ordem.
- Registre as duas pesagens com referência única, veículo, motorista e horários completos. A interface envia o fuso
-03:00. - Classifique umidade, impurezas, avariados e quebrados; informe separadamente cada percentual de desconto.
- Revise o peso aceito e gere o romaneio. Marque a última carga para encerrar a ordem.
O peso líquido da balança alimenta o livro físico; o peso aceito após descontos alimenta o livro comercial; o livro fiscal permanece zerado até o documento fiscal correspondente. Reenvios de pesagem e romaneio são idempotentes.
20. Originação de grãos
- Cadastre uma entidade por CPF/CNPJ. Pessoa jurídica pode ser consultada na base pública pelo CNPJ; confira os dados antes de salvar. Marque seus papéis: cliente, fornecedor, transportador e/ou corretor.
- Em cada entidade, cadastre quantos estabelecimentos forem necessários: matriz, filiais, fazendas, inscrições e locais de entrega. Um CPF pode possuir várias fazendas e inscrições sem duplicar a pessoa.
- Crie contratos de compra ou venda, vinculando entidade, estabelecimento, safra, uma commodity permitida, armazém, modalidade, preço, volume, unidade, tolerância, janela, frete, condição e data de pagamento, garantia, corretagem e prioridade de apropriação.
- O corretor precisa estar previamente cadastrado com esse papel. Contratos em rascunho podem ser visualizados e editados; após a aprovação, alterações devem ocorrer por aditivo.
- Contratos fixos exigem preço. Contratos a fixar ou por fórmula exigem prazo de fixação. Barter e empréstimo exigem garantia formal. Um perfil com alçada deve aprovar antes da execução.
- Em Fixar, registre referência única, volume, bolsa, vencimento futuro, preço futuro, basis, prêmio, câmbio, ajustes e preço final.
- Antes da carga, use Autorizar carga. Vincule contrato e armazém, defina quantidade, janela de validade, placa, motorista e transportador. A autorização precisa ser aprovada e seu saldo é consumido pelo romaneio.
- Use Novo romaneio para entrada ou saída. A operação determina automaticamente a direção e filtra somente contratos ativos e compatíveis de compra ou venda.
- Ao selecionar um contrato, entidade, estabelecimento, armazém e commodity são preenchidos e protegidos contra alteração. Com pesagem, informe bruto e tara; o peso líquido será calculado automaticamente.
- Sem pesagem, informe as quantidades física, comercial e fiscal. Indique obrigatoriamente se o documento usa formulário próprio. Desmarque “movimenta estoque físico” somente para operação fiscal. Data/hora é transmitida com
-03:00. - Uma carga pode ser apropriada em um contrato, dividida manualmente entre vários ou distribuída automaticamente por prioridade, vencimento e saldo. O sistema valida entidade, commodity, armazém, janela, direção e tolerância.
- O ciclo do romaneio é rascunho → efetivado → confirmado. Salvar nunca efetiva automaticamente. O cancelamento exige alçada e justificativa, gera compensação e mantém a auditoria.
- Use Aditivo para mudar volume, tolerância, janela ou prazo. A mudança só produz efeito depois de nova aprovação.
Entidade e estabelecimento permanecem separados para consolidar a posição 360 sem perder a inscrição operacional. Referências são idempotentes; os saldos físico, comercial e fiscal não são artificialmente misturados; nenhuma reversão apaga o fato original.
21. Logística doméstica de grãos
- Em Logística de grãos, crie a solicitação informando contrato opcional, commodity, volume, origem, destino, janela de coleta, limite de entrega, modalidade e veículo necessário.
- Libere a solicitação para cotação. Somente entidades ativas com papel de transportadora podem apresentar proposta.
- Registre preço por tonelada, prazo de trânsito e validade. O sistema calcula o custo total e apresenta propostas comparáveis.
- Um usuário com alçada seleciona a proposta. As demais são rejeitadas e uma ordem de frete é criada com quantidade e preço contratados.
- Agende uma ou várias cargas contra o saldo da ordem. Informe data/hora em
-03:00, quantidade, placa, motorista e, quando aplicável, autorização logística. - Acompanhe obrigatoriamente a sequência agendada → check-in → carregando → expedida → entregue. A entrega atualiza capacidade realizada e conclui a ordem quando atingir o volume contratado.
- Até o carregamento, o agendamento pode ser cancelado com justificativa e a capacidade é devolvida. Depois da expedição, registre ocorrência; não apague a viagem.
O sistema impede sobrecontratação, agenda fora da janela, transportadora não habilitada, cotação vencida, salto de etapas e consumo superior à autorização logística.
22. Recebimento e conciliação de CT-e
- Configure o certificado A1 na Caixa fiscal. O mesmo cofre protegido atende a distribuição de NF-e e CT-e, mas cada documento mantém cursor NSU independente.
- Em Logística de grãos, use Sincronizar CT-e. O sistema consulta o Ambiente Nacional, respeita o último NSU e o intervalo de consumo indevido.
- CT-e completos autorizados são armazenados com XML original, chave, protocolo, emitente, destinatário, rota, peso e valor do frete.
- Quando vinculado a uma ordem ou carga, o sistema compara CNPJ da transportadora, peso e valor. Diferenças ficam como Divergentes; não são aprovadas silenciosamente.
- Use o link XML para auditoria ou escrituração externa. Reconsultas da mesma chave são idempotentes.
A importação manual existe como contingência de API. A operação normal é a distribuição automática com certificado A1. Emissão e eventos próprios do CT-e constituem o próximo ciclo fiscal.